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Psicologia Saturnina

A arte do maneirismo é ao mesmo tempo enigmática e graciosa. Assumia-se o gosto pelos contrastes marcantes, as formas estáticas se dissolviam no estilo serpentinata. As cores assumiam tonalidades mais claras e frias. A luz assumia então, uma grande importância anunciando o barroco. As linhas verticais alongam-se e as horizontais parecem concentrar-se. Alguns artistas apelam para a intensa decoração da vestimenta de suas figuras, revelando uma sutileza e sensibilidade. Eles desenvolvem um gosto pelo diferente e pela surpresa, pelas vestimentas luxuosas e por uma atmosfera de erotismo. Existe algo de místico no maneirismo, uma certa tensão entre o céu e a terra “Mas nas obras de Grunewald até mesmo o sorriso dos anjos assume um aspecto dramático, e grande se torna a tensão entre Deus e o Mundo” (Hocke pg.43).

Vênus e Cupido de Agnolo Bronzino

"Venus e o cupido" De Bronzino, datada de 1545, obra repleta de sensualidade e miteriosa, bem ao gosto Maneirista.

Detalhe de Concerto para anjos de Grunewald

"Concerto dos Anjos" 1510 - 1515. O sorriso perturbador das imagens denunciam uma atmosfera de incerteza.

O temperamento melancólico não era incomum nesse período e até mesmo na fase final do renascimento. Pontormo deixou um diário onde ele descreve sua vida de uma maneira extremamente solitária. Suas refeições sozinho, seus dias de jejum e sua higiene íntima. Nesse diário revelava seus medos e suas crenças, como em razão de uma crise de epidemia que assolou a cidade de Florença em 1555, ele atribuiu à lua e sua influência nefasta. Pontormo assumiu para si o ideal de gênio solitário, que era popular na época, como Leonardo da Vinci e Michelangelo. Passava as madrugadas em seu atelier no escuro estudando assuntos proibidos. Chegou a ser acusado de necrofilia. Tinha um temperamento lunático e Saturnino. Em seu livro “De vita Triplice” (1494), Marsilo Ficino aponta o planeta Saturno como portador da melancolia. Ficino define assim o temperamento saturnino “Dificilmente o temperamento saturnino revela traços ou caracteres comuns. Ele revela, antes, um tipo de pessoa que se distingue das demais como se elas possuíssem uma natureza divina ou bestial. Tratam-se de pessoas repletas de felicidade ou oprimidas pela mais profunda miséria” (Hocke pg. 29). Ficino revela em seu livro, o traço psicológico do homem maneirista: simultaneamente genial, melancólico, subjetivo e bizarro.

 

Referências Bibliográficas:

  1. HAUSER, Arnold – Maneirismo: A crise da Renascença e o Surgimento da arte moderna. São Paulo Pespectiva,  1976.
  2. HAUSER, ArnoldHistória social da arte e da Literatura. São Paulo, Martins fontes – 2010.
  3. HOCKE, Gustav R. – Maneirismo: Mundo como Labirinto. São Paulo, Editora Pespectiva, 1974.