Arquivo da tag: anita malfatti

Movimento Modernista

“Foi ela (Anita), foram os seus quadros que nos deram uma primeira consciência de revolta e de coletividade em luta pela modernização das artes brasileiras.” 

Mario de Andrade

Pintura "Tropical" de Anita Malfatti

Pintura "Tropical" de Anita Malfatti

Depois de ter estudado na Alemanha e nos EUA, Anita Malfatti havia chegado ao Brasil com novas idéias estéticas que não encontraram popularidade no meio acadêmico. Com isso começou a estudar pintura acadêmica para se adequar ao modelo brasileiro. Mesmo com essa intenção de “retorno à ordem” Anita Malfatti havia plantado uma semente sobre as novas concepções estéticas e aberto uma importante discussão. O próprio Mário de Andrade reconheceria a importância da exposição de 1917, mesmo sem entender direito aquelas figuras distorcidas “Foi ela (Anita), foram os seus quadros que nos deram uma primeira consciência de revolta e de coletividade em luta pela modernização das artes brasileiras. Pelo menos para mim.” (citação de Mário de Andrade transcrito no livro “De Anita ao museu” de Paulo Mendes de Almeida, pág. 09). Mesmo o grupo que comporia a semana de arte moderna não entendia direito “aquela arte”. Mas de algum motivo, seja por intuição ou por simples consciência da necessidade de uma renovação estética, eles souberam que algo de novo estava acontecendo.

Com as críticas Anita havia se fechado. Por 3 anos trabalhou solitária. Estudava arte acadêmica sem com isso ceder totalmente sua veia moderna. Em 1920 realizou uma nova exposição agora em um tom mais moderado. Mesmo assim esse “ajuste” não a salvou das críticas “Abandonando sua primeira maneira, na qual realizou uma exposição inesquecível, e os ensinamentos expressionistas que recebera na Alemanha, procurou fazer arte mais de toda gente. Erro gravíssimo. A fraqueza de sua segunda exposição provou-o claramente. Havia, é certo quatro ou cinco obras muito boas, mas, tinha-se a impressão de um artista que tivesse perdido a sua própria alma”. (Citação de Mário de Andrade, retirada do livro “De Anita ao museu” de Paulo Mendes de Almeida, Pág. 18). Sua pintura sofrera modificações no que diz respeito à estética e também quanto ao tema. Os temas passaram a ser mais femininos com títulos como “flores amarelas”, “Lago Sereno” etc. As naturezas-mortas ganham destaque em sua produção, provavelmente uma influência de Pedro Alexandrino. Até suas cores ficarem menos agressivas. Sua pintura passa a ser mais “suave”.

Enquanto Anita ajustava o tom de suas obras, um grupo de artistas já pesquisava e desenvolvia o que no futuro viria a ser o modernismo brasileiro. Contudo, a pesquisa só se intensificou com o fim da I Guerra Mundial, quando as publicações Européias sobre arte voltaram a ser editadas normalmente. Alguns artistas que estavam no exterior também voltaram depois da Guerra “engrossando o caldo” dos artistas com intenções modernizantes, como Sérgio Milliet e Rubens Borba de Morais. A partir de 1920 a movimentação em torno de uma modernização se tornou intensa. Brecheret voltara da

Itália em 1919 e em janeiro de 1920 já era amplamente divulgado pela imprensa e elogiado pelos modernistas. A estilização das figuras promovidas pelo escultor inspiraram os futuros modernistas. Menotti Del Picchia chegou em São Paulo também nesse ano e logo após, fundou uma revista com Oswald de Andrade e outros escritores chamada “Papel e tinta”, que possuía uma parte dedicada as artes plásticas. A revista teve pelo menos 6 edições e começou a circular em maio de 1920.

Os modernistas começavam a se unir como grupo. Se não possuíam uma proposta plástica homogenia, pelo menos eram unidos na idéia de quebrar com a arte acadêmica “Na arregimentação, de escritores e de artistas, o critério era simples… o desejo de inovar”. (Rossetti, Pag. 254). De maneira generalizada, todos os envolvidos clamavam por uma liberdade de expressão e pelo fim das regras na arte. Sem buscar um critério estético específico, o movimento tinha um caráter “destrutivo”, buscavam acabar com o conservadorismo vigente na produção literário, musical e visual. Eles se inspiravam na arte européia, mas existia uma preocupação geral de incluir elementos nacionalizantes. Havia uma busca e uma preocupação com a identidade nacional. Algumas pinturas projetavam imagens ideais do Brasil, parecem exprimir um sentimento de brasilidade latente. É o caso do quadro “Tropical” de Anita, pintada ainda em 1917, onde é representada uma mulher de cor de pele miscigenada carregando um cesto de frutas tropicais. Há uma estilização nas formas e uma deformação na figura humana. As cores não são naturalistas embora ainda esteja ligada ao objeto.


Anita Malfatti e o expresionismo brasileiro

No começo do século XX, no Brasil, a arte era dominada por uma forte tendência acadêmica. Embora se possa imaginar o profundo atraso brasileiro em questões de produção artísticas, o período anterior ao da semana de 22 é marcado por uma intensa produtividade, onde não raro, se destacam artistas preocupados com renovação cultural. Isso não só nas artes visuais como na música e nas letras também. Pode-se destacar na música o compositor de óperas Leopoldo Miguez, e Alberto Nepomuceno que se inspiravam em Wagner. Ainda podemos falar de Zequinha de Abreu e Barroso neto, com suas preocupações para formar uma música popular brasileira. Na literatura temos um Graça Aranha (que foi avalista na semana de 22), Aphonsus de Guimarães, Augusto dos Anjos e Monteiro Lobato. Nas artes plásticas, Almeida Junior já tentava um abrasileiramento dos temas das pinturas, embora seu estilo ainda era dominado pela Academia Imperial de Belas Artes. Quebrar essa estética acadêmica era um problema para os novos pintores, pois praticamente todos os artistas brasileiros haviam se formado na Academia Imperial desde o século XVIII, e o gosto nacional estava voltada para esse tipo de produção estética.
As idéias de renovação plástica já estavam circulando nesse começo de século. O crítico de arte Gonzaga Duque escrevera um livro chamado Mocidade Morta onde colocou as idéias contra o academismo através de um grupo de artistas chamado “os insubmissos”. Nesse livro ele denuncia o atraso plástico e coloca como solução, de maneira clara, a inspiração no impressionismo e neo-impressionismo. Essa “solução” impressiona, principalmente porque Gonzaga Duque era simbolista, ou seja, já era de uma escola mais moderna que a impressionista.
De fato alguns brasileiros se aventuraram no impressionismo no começo do século XX. Mas isso em uma época onde a Europa já estava experimentando o Fauvismo e o cubismo, configurando assim uma tendência tardia que não durou muito tempo. Se na estética os brasileiros não conseguiam ser modernos, eles tentavam na temática, mas em 1913, um pintor Lituano recém chegado ao Brasil, Lasar Segall, expunha pela primeira vez um tipo de quadro onde o tema não tinha importância a
ênfase era dada toda na expressão. Essa exposição foi recebida com o costumeiro apreço que os brasileiros davam aos estrangeiros, sem grandes revoluções. De fato, os críticos não estavam preparados para analisar obras de arte, pois só se via o tema. A crítica era um mero descrever da obra, usando palavras mais rebuscadas. Como descrever um quadro de Anita ou Lasar Segall? Como descrever um quadro como o “homem amarelo” de Anita usando esse sistema de crítica?

O Homem Amarelo

Mesmo com a pré-estréia do expressionismo no Brasil com Lasar Segall, as críticas foram muito duras com a exposição de Anita Malfatti em 1917. Ela era filha de imigrantes, sua mãe era Alemã e seu pai Italiano que, apesar de nascer com uma deformidade no braço direito, obrigando-a assim a usar o braço esquerdo, decidiu seguir a carreira de pintora. Com a idade de 20 anos foi estudar na Alemanha, onde teve contato com o expressionismo. Na França , os Fauves e os Cubistas já faziam suas experiências, mas na Alemanha imperava o expressionismo, onde lá era natural, quase uma arte popular, e Anita, longe da França, foi o primeiro artista brasileiro absorver essa tendência e trazendo-a ao Brasil. Depois de morar 4 anos na Alemanha e um tempo nos Estados Unidos, a pintora volta ao Brasil e faz sua primeira exposição em solo nacional. O título da exposição era “exposição de arte moderna Anita Malfatti”. Os 53 quadros expostos tinha uma forte tendência expressionista. Suas figuras deformadas causavam indignação no meio acadêmico brasileiro. Essas imagens causaram revolta até mesmo no escritor pré-moderno Monteiro Lobato. Ele era de um profundo conservadorismo quando de tratava de artes visuais, pois ele se arriscava no estudo do desenho, do qual praticava sem nenhuma originalidade. Acreditava na cópia da natureza como os acadêmicos. Após a exposição de 1917, Lobato escreveu para o estado de São Paulo, onde nesse texto dividia em dois grandes grupos os artistas, os que viam normalmente as coisas e os que viam “anormalmente a natureza e interpretam-na à luz de teorias efêmeras, sob a sugestão estrábica das escolas rebeldes, surgidas cá e lá, como furúnculos da cultura excessiva (…)”. Colocava Anita nesse grupo, assim como colocava no mesmo patamar a arte caricatural, o cubismo, o futurismo etc. Mesmo com as duras críticas, Anita Malfatti consegue dar o ponta-pé inicial para a arte modernista no Brasil. Em 1922 participou da semana da arte moderna, onde fez uma retrospectiva da exposição de 1917. Em 1949 os quadros expressionistas foram expostos e reavaliados pelas novas gerações e provaram que apesar da polêmica inicial, as obras resistiram ao tempo.
Mesmo com o sucesso, as críticas foram duras demais, embora não seja só esse o problema, a artista fugiu de polêmicas durante o resto de sua longa carreira (foram 50 anos de trabalho), e logo depois caiu em uma arte mais ingênua, voltada para a busca de uma arte popular brasileira. Mesmo assim, nas palavras de Marta Rosseti, a exposição de 1917 foi o suficiente para consagrar a artista como “protomártir do movimento modernista”.
Nessa fase, o tema de Anita era o drama humano, buscava uma expressão psicológica e simbólica para o sofrimento. O cuidadoso estudo da cor se misturava com as figuras deformadas muitas vezes possuía um conteúdo auto-biográfico. Ela se identificava com os retratados. Geralmente colocava mãos escondidas ou cortadas. Era apaixonada pelas cores, de onde fez diversos estudos baseados no impressionismo durante sua estadia na Alemanha, e mais tarde aprofundando o tema com o movimento sincronista onde teve contato durante sua estadia nos Estados Unidos. Anita falava dos estudos nos EUA em seus diários “Durante esses anos de estudo, pintara simplesmente por causa da cor. Devo confessar, não fora para iluminar a humanidade, não fora para enfeitar as casas, nem fora para ser artista.” (cit. Marta Rosseti, pag. 165). Em agosto de 1916 Anita volta ao Brasil, mas já influenciada pelo Sincronismo e principalmente por Macdonald-Wright e Morgan Russel.
Ao voltar para o Brasil, Anita Malfatti já era uma artista moderna. Conhecera o expressionismo e os movimentos de vanguarda européia durante seus estudos na Alemanha, e havia morado em Nova York, onde aprofundara seus estudos. Imagine uma artista brasileira, moderna voltando ao Brasil. Em 1916 nem se pensava na possibilidade da abstração em solo nacional. Não se conhecia nenhum movimento moderno, no máximo o impressionismo, onde se copiava o estilo imitando as pinceladas e clareando as palhetas, mas sem causar uma mudança de percepção mais profunda. O futurismo era um movimento que estava começando a ser comentado, mas o termo era usado de maneira arbitrária, era usado pra representar qualquer obra de arte que se qualificava fora dos padrões acadêmicos. Não existia publicações sobre arte estrangeira ou brasileira. As exposições eram esporádicas e sem grande repercução. O cenário de artes brasileira estava estagnado a algum tempo. Esse era o cenário da exposição de Anita Malfatti em 1917. Além de fazer uma arte muito diferente da conhecida aqui no Brasil, ela ainda era mulher em uma sociedade preconceituosa e para piorar, tinha uma deformação no braço direito. Olhando esse panorama é fácil enxergar a necessidade de uma exposição como a de 1922. A arte moderna no Brasil não poderia chegar por evolução, teria que ser através de uma ruptura. Nessa caso, a exposição de 1917 poderia ser colocada como uma pré-ruptura.

Se os artistas brasileiros não estavam preparados para a arte expressionista tão pouco estava a população não ligada as artes. As obras que a Anita pintou nos EUA e trouxe para o Brasil, geraram um profundo mal estar em sua família e amigos. Imagina o esforço familiar para enviá-la a Europa para estudar (sabe-se que um tio de Anita ajudou com as despesas), e depois aos EUA e depois de 7 anos de estudos ela volta com aquelas imagens que ninguém entendia e achavam horríveis. A família ficou decepcionada com o resultado e esse assunto passou a ser um tabu familiar. Anita depôs sobre isso “Quando viram minhas telas, todos acharam-nas feias, dantescas, e todos ficaram tristes, não eram os santinhos dos colégios. Guardei as telas.” (Marta Rossetti pag. 178). O próprio tio de Anita, Dr. Jorge Krug, que havia ajudado com as despesas da pintora, dissera “Isto não é pintura, são coisas dantescas”. Ela estava certa de que sua pintura era boa, nunca duvidou de sua arte, sempre buscou a originalidade e sabia que toda essa crítica não tinha fundamento. Mesmo assim ficou profundamente decepcionada com a reação de todos que preferiu esconder os quadros e pintar isoladamente.

A estudante

Os anos de 1916 e 1917 foram silenciosos para Anita. Nenhuma pintura de amigos ou familiares foram feitas nesse período. Com o tempo, a pintora foi tentando pintar temas nacionais como muitos pintores da época, mas de uma forma diferente, moderna e expressionista. As obras, A palmeira, Rancho de Sapé, Capanga e Caboclinha e Tropical são exemplos desse esforço. E ainda participou de um concurso promovido por Monteiro Lobato. O concurso consistia em representar em pintura a figura lendária do Saci Pererê. Enquanto a Europa já fazia uma arte cosmopolita (cubismo e fauvismo) o Brasil lutava pra encontrar uma pintura nacional. Anita participou do concurso que embora não tenha ganhado, chamou a atenção de alguns artistas. E é claro não podia passar sem uma alfinetada de Monteiro Lobato “A sra. Malfatti também deu sua contribuição em ismo.(…) Gênero degringolismo. Como todos os quadros do gênero ismo, cubismo, futurismo, marinetismo, está hors-concours”. A expressão hous-concours é Francesa e quer dizer literalmente “fora de concurso”. Diz Lobato que “não cabe a crítica falar dele (quadro de Anita) porque o não entende”. Desse modo ela não foi julgada como os demais devido ao estilo diferenciado.
Ela não ganhou o prêmio, mas chamou a atenção de um artista jovem que havia estudado na França: Di Cavalcanti. O jovem pintor marcou um encontro com Anita para ver sues quadros “dantescos”, e levou consigo o escritor Arnaldo Simão Pinto e alguns jornalistas. Não se sabe a reação do grupo diante das obras, mas eles conseguiram convence-la de expor os quadros. Arnaldo Simão escrevia para a revista “vida moderna” e preparou um texto para esclarecer ao público sobre as obras da artista “A sra. Anita Malfatti é um dos mais curiosos temperamentos artísticos do nosso meio. Tendo estudado primeiramente na Alemanha e depois nos Estados Unidos, a nossa distinta patrícia tem da arte uma concepção tão bizarra que a põe num lugar absolutamente à parte entre os artistas nacionais”.

A boba

A amostra inaugurou em 12 de dezembro de 1917 e causou curiosidade no meio artístico. Muitos artistas que comporam a semana de 22 foram na exposição, entre eles Di Cavalcante. Mario de Andrade e Oswald de Andrade também assinaram o livro de visitas. Todos tentavam “decifrar” essa nova maneira de conceber as imagens, o que para a mentalidade da época, não era tarefa fácil. Os críticos estava acostumados a narrar a cena segundo os padrões acadêmicos, mesmo assim houve um esforço para se atingir um entendimento. Foi publicado no Correio Paulistano “A exposição da senhorita Anita Malfatti, toda ela de arte moderna, apresenta um aspecto original e bizarro, desde a disposição dos quadros aos motivos tratados em cada um deles (…) Essencialmente moderna, a senhorita Malfatti se distancia consideravelmente dos métodos clássicos. A figura ressalta do fundo do quadro, como se nos apresentasse, em cada traço, quase violento, quase sempre tocada de uma luz crua, meridiana, que põe em relevo as partes alvas, num embaralhamento de vilas sertanejas, onde a minudência se afasta para a mais forte impressão do conjunto”. Os comentário seguiam nos jornais e muitas vezes eram elogiosos. Mas no oitavo dia de exposição veio a crítica de Monteiro Lobato. Nessa crítica, o escritor avança em defesa da arte acadêmica e atenta aos perigos da “arte chamada moderna”. Ele também criticou os escritores que apoiavam Anita e os críticos que tentavam entende-la. O pensamento acadêmico havia encontrado um grande porta-voz. A crítica foi publicada posteriormente, na íntegra, no livro “Idéias de jeca tatu” sob o título “Paranóia ou Mistificação”. Dele pode-se extrair um ataque direto a Anita “Há de ter essa artista ouvido numerosos elogios à sua nova atitude estética. Há de irritar-lhes os ouvidos, como descortês impertinência, esta voz sincera que vem quebrar a harmonia de um coro de lisonjas. Entretanto, se refletir um bocado, verá que a lisonja mata e a sinceridade salva. O verdadeiro amigo de um artista não é aquele que entontece de louvores, e sim o que lhe dá uma opinião sincera, embora dura e lhe traduz chãmente, sem reservas, o que todos pensam dele por detrás”. (Marta Rosseti, pag. 210). Para Lobato essa exposição era uma heresia e devia ser banida do cenário artístico nacional. A assinatura de Monteiro Lobato não estava no livro de visitas da exposição.

O Japonês

Depois da crítica de Monteiro Lobato, os que não gostavam da arte moderna mas se mantinham calados começaram a falar. Uma grande discussão se iniciaria ao longo dos dias da exposição. Algumas pessoas mudaram de idéia. Anita havia vendido 8 telas na primeira semana de exposição, 5 delas foram devolvidas depois do artigo de Monteiro Lobato. O ódio a arte moderna foi crescendo verticalmente. A pintora lembraria mais tarde “Com o correr das semanas, havia tal ódio geral que um amigo de casa ameaçou meus quadros com a bengala desejando destruí-los” (Rossetti pag. 217).

Os anos que se seguiram a essa exposição foram duros para Anita. Sentia uma necessidade de ser reconhecida e de ser amada. Talvez tenha concluído que o país precisava percorrer um caminho anterior para chegar em uma arte mais arrojada. De qualquer forma, a vida cultural do país era bem diferente da dos países onde ela passara e isso desmotivou a pintora. O isolamento e a reprovação geral foi mudando o traço e o tom de suas obras. Em 1919 Anita procurou Pedro Alexandrino para ter aulas de pintura acadêmica. Não se sabe por quanto tempo ou qual era a intenção dessas aulas. A artista ainda continuava pintando de uma maneira moderna, mas sem aquele fogo revolucionário.