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Curso intensivo de desenho focado em Luz e Sombra

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Total de 6 aulas – Segunda e Sexta das 18h as 21h

Início: em 5 de junho

Término: 23 de junho

Introdução:

No desenho, a quantidade de luz que uma área possui é chamado de valor. O objetivo do curso é fazer o aluno migrar sua percepção para análise dos valores, fazendo o desenho aparecer pelo contraste de luz e sombra e não dependendo tanto da linha como guia da visão. Trabalhando os valores é possível conseguir o efeito de sensação da luz no desenho.

Professor: Luiz Vilarinho

Luiz Vilarinho é ilustrador e designer gráfico graduado pelo Centro Universitário Belas Artes e pós-graduado em História da Arte pela Universidade São Judas (ambos em São Paulo), com atuação no mercado publicitário desde 2004. Estuda desenho desde 1998 e passou por diversos ateliês em São José dos Campos e na capital paulista onde aprendeu a manipular diferentes materiais, tais como carvão, giz pastel, tinta óleo, guache e aquarela. Já atuou como professor universitário ministrando curso de História da Arte e Direção de Arte. Atualmente é professor de desenho e pintura em ateliês livres de São Paulo e Guarulhos.

O curso abordará os seguintes tópicos:

– localização das grandes área de luz e sombra

– escala de valores

– organização dos valores tonais

– simplificação dos valores

– níveis de acabamento

Materiais:

– sketchbook

– lápis 2b e 6b

– borracha macia (branca)

– borracha limpa-tipos

– caneta borracha (fina)

– esfuminho (número 2 e número 6)

Investimento:

à vista: 300,00

parcelado: 350,00 (até 4x no cartão de crédito)

total de 6 vagas.

Local: Gugo Tattoo – R. João Bueno, 155 – Jardim Barbosa- Guarulhos

Para mais informações:

luizvilarinho@gmail.com

(11) 98221 4786 (whatsapp)

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Simbologia no Renascimento

Uma pintura tem qualidades em si mesma, mas também possui características simbólicas. Como pintor presto muita atenção nas qualidades da imagem, como:  manchas  bordas, cores etc. Muitas vezes esqueço que a imagem também pode ter uma característica simbólica muito grande. Isso acontece quando por exemplo, um se pinta uma árvore, mas essa árvore simboliza solidão, ou outro sentimento qualquer.

O renascimento foi um período onde se usava muita simbologia dentro dos quadros. Cada elemento tinha um motivo e um significado para estar na obra, que as vezes não nos damos conta à primeira vista. Conhecer sua simbologia é uma outra forma de apreciar essas imagens.

A pintura abaixo se chama “O batismo de cristo”, foi pintado por Verrocchio e Leonardo da Vinci.

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O batismo de Cristo – Andrea Del Verrocchio e Leonardo da Vinci – 1470. 

Os anjos à esquerda é atribuído a Leonardo, que era aprendiz de Verrocchio na época da execução da pintura (por volta de 1470). A pintura foi feita com Tempera (misturas de pigmentos com gema de ovo) e posteriormente algumas partes foi retocada com tinta a óleo (pigmentos dissolvidos no óleo de linhaça ou mamona). Na obra vemos cristo sendo batizado por São João batista. Ela foi pintada no estilo renascentista sendo respeitado as regras clássicas de composição, ou seja, as figuras sem demonstrar expressão facial, com seus rostos colocados em posição de modo a ter clareza do retrato (de frente, de lado ou de três quartos). Muita atenção às mãos e pés que junto com a posição do corpo, podem demonstrar as emoções das figuras.  Na parte de cima vemos a mão de deus que libera a pomba que simboliza o espirito santo. A ave de rapina é um adversário simbólico do espírito santo e levanta voo ao ver sua presença. Ao fundo, o coqueiro representa a árvore do paraíso que simboliza a salvação. Ao fundo podemos ver a fonte da água que cristo é batizado, simbolizando a pureza. Na mão de São João Batista podemos ver a inscrição ECCE AGNIVS. É uma abreviação em latim da expressão Dei ecce qui tollit peccata mundi (João, I:29 – Este é o cordeiro de Deus, que tira os pecados do mundo).

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Anjos que é atribuído ao pintor Leonardo da Vinci


Arte, estudo e reconhecimento

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Quando damos aula nos deparamos com muitas questões que os alunos acabam nos propondo quase sem querer. Algumas questões que dentro da gente já foram superadas, mas que ainda pairam como uma sombra em nossas almas. Meu mestre costumava dizer que as vezes devemos voltar ao começo para enxergar um novo fim. Achei melhor escrever um pouco  sobre essa questão como uma forma de revisitar o problema e deixar registrado para as pessoas que possam se interessar.

Em sala, passo uma série de exercícios de desenho, que exigem esforço e atenção para serem resolvidos  e um dos praticantes indagou “nós estudamos tanto e quase não temos reconhecimento”. Olhei a sala quase vazia, com muitos faltantes  e não pude deixar de pensar “realmente existe uma âncora que impede algumas pessoas de se esforçarem nos estudos”. Acredito que uma dessas âncoras é o reconhecimento do seu esforço por parte do outro. Porque me esforçar para realizar algo que não me trará qualquer reconhecimento?

O estudo é trabalhoso, toma tempo e dinheiro e para o iniciante pode ser meio chato. Longas horas resolvendo problemas que na aparência não tem importância. Mas as vezes é assim mesmo. Para ler um bom livro antes é necessário ser alfabetizado. Essa é uma ordem que não pode ser invertida. Acho que o início da prática de uma arte começa com essa alfabetização. E isso pode parecer meio chato.  Precisamos abrir mão do reconhecimento dos outros, devemos assumir uma prática sem maiores interesses, para poder usufruir do conhecimento que a prática artística nos oferece.

Não podemos nos deixar desgostar pela aridez que as vezes se apresenta no estudo da arte. Essa dificuldade é aparente e superficial. A cada investida, cada energia gasta na direção correta nos deixa mais perto de conhecer as leis gerais do belo.  Cito Léon Denis que ilustrou com perfeição essa ideia

“Pode-se comparar esse exercício mental à subida de uma montanha de aspecto áspero e escarpado, mas da qual cada depressão do terreno contém maravilhas ocultas e que, do seu cume altivo, nos faz descobrir o conjunto harmônico das coisas que se desenvolvem sob os nossos olhares“.

(Grifo meu)

Para os corajosos, aqueles que permanecem fieis à prática e ao estudo sistemática da arte, garanto que as alegrias e os prazeres intelectuais são superiores aos problemas encontrados no meio do caminho.  Quantas pessoas não desistiram de aprender a tocar piano por reconhecer  que seu sonho de ser aplaudido por uma plateia numerosa está  muito distante?  O reconhecimento pode vir ou não, mas não devemos nos limitar por isso sendo os benefícios reais muito maiores.

Para fechar quero transcrever um parágrafo do Léon Denis do livro “O espiritismo na arte”

“O espetáculo da vida universal nos mostra, por toda parte, o esforço da inteligência para conquistar e realizar o belo. Do fundo do abismo da vida, o ser aspira e sobe em direção ao infinito das concepções estéticas, à ciência divina, aos cumes eternos onde reina a beleza perfeita. O esplendor do universo revela a inteligência divina, assim como a beleza das obras de arte terrestres revela a inteligência humana”.

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Definições sobre a obra de arte

“A finalidade da arte é o deleite”

Poussin

Saleiro de Cellini

Saleiro de Benvenuto Cellini. A obra é datada do final do século XVI. O saleiro foi feito para o rei Francisco I da França. A obra é composta por duas figuras, Ceres e Netuno, que representam a água e a terra.

Definir exatamente o que é uma obra de arte não é tarefa fácil. Não existe um conceito unificado, ou esse conceito varia de acordo com o período histórico. A explicação de que a obra de arte é uma experiência estética parece simplista demais. Todo objeto, feito ou não pelo homem, pode ser experimentado esteticamente. Pode-se apreciar a beleza natural de uma paisagem sem essa ter sido alterada pelo homem e nem por isso, essa paisagem é uma obra de arte. A obra de arte necessariamente é produzida pelo ser humano, então vamos excluir as belezas naturais, mas isso na quer dizer que elas não podem ser apreciadas.

Os objetos feitos pelo homem, que não exigem uma experimentação estética, são chamados de “práticos”. Segundo Guinsburg, os objetos práticos por sua vez, podem ser subdivididos em dois grupos: Os veículos de Comunicação e os aparelhos (ferramentas).  Os veículos de comunicação tem a intenção de transmitir um conceito, os aparelhos e ferramentas tem a intenção de preencher uma função. A obra de arte também podem estar dentro dessas duas categorias. Um poema ou uma pintura histórica podem possuir intenção de transmitir um conceito, portanto é um veículo de comunicação. O Panteão e o saleiro de Benvenuto Cellini são em certo sentido, aparelhos. O túmulo de Lorenzo de Medice, esculpido por Michelangelo, são em certo sentido, ambas as coisas.

Mas chamar essas construções e objetos de meros “veículos de comunicação ou “aparelhos”  não transmitem suas reais importâncias. Isso porque nesses objetos existe uma atenção exagerada na “forma”. O foco de interesse então, daquele que a produz, não está concentrada unicamente em sua função, mas está equilibrada junto com um interesse na forma.

No entanto, o elemento “forma” se encontra em todos os objetos sem exceção e não é possível determinar em que medida esse elemento forma é a que recebe uma ênfase maior.  Portanto não se pode definir em que momento o objeto passa a ser obra de arte. Assim, a esfera em que o campo dos objetos práticos termina e o da arte começa depende das intenções de seus criadores. Quanto mais o objeto é projetado com ênfase na idéia e na forma, mais ele revelará o que é chamado de “conteúdo”.

Para Peirce, conteúdo é aquilo que a obra denuncia, mas não ostenta. É a atitude básica de uma nação, período histórico, classe social, crenças religiosas e pensamentos filosóficos, condensado de forma inconsciente em uma obra. Esses conceitos podem emergir, principalmente, quando o elemento “forma” e “idéia” é voluntariamente enfatizada ou suprimido.

Referências:

Panofsky, Erwin. SIGNIFICADOS NAS ARTES VISUAIS. Ed. Perspectiva.