Arquivo da categoria: História da arte

Toulouse-Lautrec

Toulouse-Lautrec foi um pintor Francês do final do século XIX. Ele morreu em 1901 aos 36 anos devido a sífilis e alcoolismo. Lautrec também nasceu com uma doença genética que se caracterizava pela baixa estatura (não tinha mais que 1,52 m) e ossos frágeis. Os pais do pintor eram primos de primeiro grau, o que justifica sua doença.

 

Ele começa a estudar pintura aos 16 anos e aos 18 se muda para o bairro de Montmartre na França. Esse  bairro é conhecido pela vida boêmia, pelas danças e diversões noturnas do final do século XIX. Seus bares dançantes eram a “alma da cidade” e o pintor registrou em desenho e pintura esse novo costume.

 

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No Moulin de la Gallete, 1889

O lendário Moulin Rouge acabou virando uma espécie de “zona livre” em que as diferenças sociais desapareciam diante das promessas de prazer e diversão. A festa culminava na dança de cancã, onde as saias esvoaçantes revelavam as belezas proibidas das estrelas de teatro.

 

Com toda essa libertinagem foi necessário que se criasse um censor, alguém que fiscalizasse a moral e bons costumes da vida noturna. Era comum ver sensores indo no meio da pista de dança para impedir que as dançarinas mostrassem suas belezas naturais.

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O sensor fica de costas enquanto a dançarina aproveita para esvoaçar suas saias. Desenho de 1886.

Toulouse Lautrec passava as noites nos bares bebendo e desenhando as cenas e personalidades que via. Durante o dia ele pintava os quadros à partir dos desenhos.

Seus personagens eram reais, portanto ele buscava características marcantes no retratado para que o observador pudesse reconhecer quem era. Apesar do tema ser baseado na observação da realidade, seu desenho muitas vezes fazia uma espécie de caricatura da cena. As imagens eram distorcidas e mais focada na ideia de comunicação da realidade.

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No Moulin Rouge: A dança, 1890

Essa característica de seu trabalho o favoreceu quando o dono do Moulin Rouge pediu para que Lautrec fizesse alguns cartazes para divulgar o bar, após um breve período de baixa frequencia. O pintor fez então, cartazes que divulgassem as atrações dando ênfase nas imagens simples. Na época era comum o uso de cartazes para divulgar atrações, mas geralmente eram feitas só com texto. Esse uso de imagens com pouco texto era algo novo. A estratégia deu certo e os consumidores voltaram. Existem relatos da época dizendo que as pessoas retiravam os cartazes das paredes da cidade e o levavam pra casa como obra de arte.

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Cartaz para o Moulin Rouge, intitulado “A Gulosa” de 1891, feito em litografia. 

Por volta de 1895 Lautrec decide se mudar para um bordel com intenção de retratar as mulheres. Ele direciona seu olhar para os gestos do cotidiano, as horas de folga e as conversas displicentes entre elas. Ele não buscava uma imagem pousada, portanto tentava captar as cenas de forma espontânea. O resultado são imagens que retratam a intimidade das mulheres que viviam ali.

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No Salão da rua Moulins, 1894. Aqui mulheres são retratadas à espera de clientes no prostíbulo da rua Moulins. 

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O Divã, 1893. Pintura que retrata cenas de intimidade em um prostíbulo da rua Moulins. A composição simétrica é incomum no trabalho de Lautrec, que prefere as diagonais, mas a simetria está de acordo com a proposta da cena que é retratar um período de tédio das moças à espera dos clientes. 

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Inspeção médica, no prostíbulo da rua Moulins. 

 

Alguns estudos e desenhos preparatórios:

 

 

 

 

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Simbologia no Renascimento

Uma pintura tem qualidades em si mesma, mas também possui características simbólicas. Como pintor presto muita atenção nas qualidades da imagem, como:  manchas  bordas, cores etc. Muitas vezes esqueço que a imagem também pode ter uma característica simbólica muito grande. Isso acontece quando por exemplo, um se pinta uma árvore, mas essa árvore simboliza solidão, ou outro sentimento qualquer.

O renascimento foi um período onde se usava muita simbologia dentro dos quadros. Cada elemento tinha um motivo e um significado para estar na obra, que as vezes não nos damos conta à primeira vista. Conhecer sua simbologia é uma outra forma de apreciar essas imagens.

A pintura abaixo se chama “O batismo de cristo”, foi pintado por Verrocchio e Leonardo da Vinci.

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O batismo de Cristo – Andrea Del Verrocchio e Leonardo da Vinci – 1470. 

Os anjos à esquerda é atribuído a Leonardo, que era aprendiz de Verrocchio na época da execução da pintura (por volta de 1470). A pintura foi feita com Tempera (misturas de pigmentos com gema de ovo) e posteriormente algumas partes foi retocada com tinta a óleo (pigmentos dissolvidos no óleo de linhaça ou mamona). Na obra vemos cristo sendo batizado por São João batista. Ela foi pintada no estilo renascentista sendo respeitado as regras clássicas de composição, ou seja, as figuras sem demonstrar expressão facial, com seus rostos colocados em posição de modo a ter clareza do retrato (de frente, de lado ou de três quartos). Muita atenção às mãos e pés que junto com a posição do corpo, podem demonstrar as emoções das figuras.  Na parte de cima vemos a mão de deus que libera a pomba que simboliza o espirito santo. A ave de rapina é um adversário simbólico do espírito santo e levanta voo ao ver sua presença. Ao fundo, o coqueiro representa a árvore do paraíso que simboliza a salvação. Ao fundo podemos ver a fonte da água que cristo é batizado, simbolizando a pureza. Na mão de São João Batista podemos ver a inscrição ECCE AGNIVS. É uma abreviação em latim da expressão Dei ecce qui tollit peccata mundi (João, I:29 – Este é o cordeiro de Deus, que tira os pecados do mundo).

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Anjos que é atribuído ao pintor Leonardo da Vinci


Arte e o Estudo de Humanidades (1/2)

“O senso de humanidade ainda não me deixou.”

Kant, em seu leito de morte

cartoon Aula de desenho de Alain (1955/1983) The new Yorker Magazine.

É possível, que todos que já frequentaram a escola, tenham tido aulas de arte. Aquele disciplina espremida entre as matérias “sérias” e importantes para nossa vida futura.  É possível que você se lembre das aulas como uma bagunça ou como uma diversão, como se fosse uma aula para “relaxar” e descontrair.  Essa impressão é transportada para a idade adulta, de modo que quando vemos uma pessoa produzindo arte (artista), tem-se a impressão de que essa pessoa vive sem obrigações e sem seriedade com a vida “normal”.  Estamos tentando construir aqui o senso comum de arte e de artista, pode ser que você não faça parte desse grupo.

Mas a arte é uma prática humana e a história da arte é uma ciência que faz parte de um conjunto de disciplinas chamadas de ciências humanas (humanitas). Historicamente a palavra humanitas era usada no mundo antigo para designar aquilo que estava relacionado ao homem. Era aquilo que diferenciava os homens dos animais e não só destes, mas como também, de outros homens que não possuíam valores morais, que também eram chamados de bárbaros. Humanitas estava relacionada aos valores humanos e suas limitações.

Na idade média, esse conceito foi substituído pela ideia de oposição à divindade. Portanto o termo humanitas estava relacionada a uma ideia de fragilidade e transitoriedade. No final da idade média (renascimento) esse termo possuía essa ambivalência. Tanto era designado como oposição ao barbarismo, como oposição ao divino. E dessa concepção nasceu a tendência que comumente chamamos de Humanismo. Humanismo é tanto um movimento como uma atitude que pode ser traduzida em uma convicção da dignidade do homem baseado na insistência dos valores humanos e aceitação de suas limitações.

Dessa tendência foi possível pensar que a existência dos homens era um meio, mais do que um fim. Desse modo a atividade humana e seus registros foram considerados como dotados de valores em si mesmo pois possuíam um significado, que embora nem sempre estivesse claro, deveria ser preservado para estudos posteriores. Esses registros expressam ideias e essas ideias são objeto de estudo dos humanistas.  Todo tempo (período histórico) possuem qualidades em si mesmas, pois se tem a noção de que nem tudo é possível em todas as épocas. Desse modo, investigar os motivos que foram propícios para o aparecimento de determinada ideia no mundo é o que é estudado pelos humanistas. Desse ponto de vista, os registros nunca envelhecem nem podem ser substituídos por uma ideia “melhor”, pois ela possui qualidades em si mesma como registro histórico.

As subdivisões das ciências humanas é muito ampla. Cada qual com o foco em um detalhe da interpretação e análise dos registros históricos.  O historiador da arte é aquele que se ocupa de analisar os registros que chegam até nós através de obras de arte. Esse então, é o  seu material primário. Parece pouco, mas determinar se uma obra de arte foi possível em determinada época, para testar sua validade, não é tarefa fácil e essa compreensão é muito útil para os outros campos das ciências humanas. Mas para avançar no conceito antes é preciso definir o que é uma obra de arte.

(veja continuação no próximo post).

Referências:

Panofsky, Erwin. SIGNIFICADOS NAS ARTES VISUAIS. Ed. Perspectiva.

Duarte Jr., João Francisco. POR QUE ARTE-EDUCAÇÃO?. 19º editora.