Modernismo e identidade Nacional

“O Modernismo manteve-se cúmplice de um projeto de constituição de uma arte brasileira típica”

Tadeu Chiarelli

O vendedor de frutas, Tarsila do Amaral, 1925.

A busca por uma identidade Nacional em artes plásticas era uma preocupação constante dos primeiros modernistas. Não queriam simplesmente imitar os estilos europeus. Queriam se apropriar e transformar essas tendências em algo novo e com a “cara” do Brasil. Um exemplo dessa busca é o quadro “Vendedor de frutas” de Tarsila do Amaral, pintado em 1925. Nesse quadro é representado um mulato de olhos azuis carregando um enorme cesto de frutas acompanhado por um pássaro tropical. As cores são chapadas e as formas muito estilizadas e a falta de profundidade dá uma impressão primitivista. O vendedor de frutas é uma alegoria do Brasil e do povo brasileiro, pois remete a uma ideia de paraíso tropical onde os frutos brotam, cabendo ao povo simples o trabalho apenas de colhê-los.

Essa questão do tema brasileiro é algo que vem desde os acadêmicos do século XIX. Pedro Américo pintou um quadro em 1882 intitulado “A carioca”. Comparando fica obvio as diferenças formais entre os acadêmicos e modernos, mas a questão de buscar um tema nacional permanece o mesmo. Em Pedro Américo a carioca é representada por uma ninfa, imagem idealizada de mulher bonita e jovem, que é branca. A figura se banha em um rio e ao lado pode-se ver uma fonte de água, símbolo da vida. O título da obra parece estar completamente desconexo com o que representa.

A Carioca, Pedro Américo, 1882.

A Carioca, Pedro Américo, 1882.

 

Outro tema brasileiro na pintura acadêmica pode ser representado pelo  quadro “o derrubador” de Almeida Jr. de 1871. O quadro representa um trabalhador braçal em um momento de descanso. Ele senta para fumar com seu machado e ao fundo pode-se ver parte da mata virgem. Ao lado da figura novamente o símbolo da fonte. Anos depois Portinari representaria outro trabalhador brasileiro em seu momento de descanso. Em “o lavrador” ele coloca um negro se apoiando em uma enxada. Ao fundo pode se ver a terra lavrada. No lugar da fonte, um trem como símbolo do progresso. Essa representação é peculiar à Portinari, ao invés de representar o Brasil como um paraíso idealizado, ele mostra um espaço que pode ser transformado pelo trabalho e pelo trabalhador.

“O derrubador” de Almeida Jr. e “O lavrador” de Candido Portinari.

 

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