Arte e o Estudo de Humanidades (1/2)

“O senso de humanidade ainda não me deixou.”

Kant, em seu leito de morte

cartoon Aula de desenho de Alain (1955/1983) The new Yorker Magazine.

É possível, que todos que já frequentaram a escola, tenham tido aulas de arte. Aquele disciplina espremida entre as matérias “sérias” e importantes para nossa vida futura.  É possível que você se lembre das aulas como uma bagunça ou como uma diversão, como se fosse uma aula para “relaxar” e descontrair.  Essa impressão é transportada para a idade adulta, de modo que quando vemos uma pessoa produzindo arte (artista), tem-se a impressão de que essa pessoa vive sem obrigações e sem seriedade com a vida “normal”.  Estamos tentando construir aqui o senso comum de arte e de artista, pode ser que você não faça parte desse grupo.

Mas a arte é uma prática humana e a história da arte é uma ciência que faz parte de um conjunto de disciplinas chamadas de ciências humanas (humanitas). Historicamente a palavra humanitas era usada no mundo antigo para designar aquilo que estava relacionado ao homem. Era aquilo que diferenciava os homens dos animais e não só destes, mas como também, de outros homens que não possuíam valores morais, que também eram chamados de bárbaros. Humanitas estava relacionada aos valores humanos e suas limitações.

Na idade média, esse conceito foi substituído pela ideia de oposição à divindade. Portanto o termo humanitas estava relacionada a uma ideia de fragilidade e transitoriedade. No final da idade média (renascimento) esse termo possuía essa ambivalência. Tanto era designado como oposição ao barbarismo, como oposição ao divino. E dessa concepção nasceu a tendência que comumente chamamos de Humanismo. Humanismo é tanto um movimento como uma atitude que pode ser traduzida em uma convicção da dignidade do homem baseado na insistência dos valores humanos e aceitação de suas limitações.

Dessa tendência foi possível pensar que a existência dos homens era um meio, mais do que um fim. Desse modo a atividade humana e seus registros foram considerados como dotados de valores em si mesmo pois possuíam um significado, que embora nem sempre estivesse claro, deveria ser preservado para estudos posteriores. Esses registros expressam ideias e essas ideias são objeto de estudo dos humanistas.  Todo tempo (período histórico) possuem qualidades em si mesmas, pois se tem a noção de que nem tudo é possível em todas as épocas. Desse modo, investigar os motivos que foram propícios para o aparecimento de determinada ideia no mundo é o que é estudado pelos humanistas. Desse ponto de vista, os registros nunca envelhecem nem podem ser substituídos por uma ideia “melhor”, pois ela possui qualidades em si mesma como registro histórico.

As subdivisões das ciências humanas é muito ampla. Cada qual com o foco em um detalhe da interpretação e análise dos registros históricos.  O historiador da arte é aquele que se ocupa de analisar os registros que chegam até nós através de obras de arte. Esse então, é o  seu material primário. Parece pouco, mas determinar se uma obra de arte foi possível em determinada época, para testar sua validade, não é tarefa fácil e essa compreensão é muito útil para os outros campos das ciências humanas. Mas para avançar no conceito antes é preciso definir o que é uma obra de arte.

(veja continuação no próximo post).

Referências:

Panofsky, Erwin. SIGNIFICADOS NAS ARTES VISUAIS. Ed. Perspectiva.

Duarte Jr., João Francisco. POR QUE ARTE-EDUCAÇÃO?. 19º editora.

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