Inicio do maneirismo

Os primeiros maneiristas descendiam diretamente dos artistas do renascimento. Mas existia algo novo, não era o mesmo tipo de arte. Os maneiristas não queriam simplesmente continuar o trabalho realizado no renascimento. Existia um descontentamento, sobretudo espiritual, isso acarretava uma nova maneira de ver, um novo olhar sobre a questão do homem e da arte. Essa nova maneira resultou em uma crise estilística. Apesar de ser algo novo ainda se pode ver traços da arte clássica. Eles não ignoraram completamente os avanços do renascimento e do humanismo. Mas agora esses elementos clássicos se misturam com elementos bizarros, complexos e obtusos.

Outro movimento emergia na fase inicial do maneirismo: o barroco. Durante um curto período esses dois movimentos coexistiram, e até duelavam. Ambos os movimentos se beneficiavam do equilíbrio mantido pelos renascentistas entre a espiritualidade e a sensualidade. Quem identifica esse duelo é Arnold Hauser, em seu livro “maneirismo: Crise da renascença e surgimento da arte moderna” , ele expõe “A rivalidade entre as tendências maneirista e barroca terminou com a vantagem para o maneirismo que se estabeleceu como um estilo incisivamente definido e inconfundível a dominar a produção artística da Itália praticamente até o fim do século ou, de todo modo, até os anos 80” (pág. 118). Na realidade não houve nenhuma fase barroca antes do maneirismo, ambas aparecem simultaneamente ou aparecem, por vezes, combinadas.

expulsao de heliodoro

Expulsão de Heliodoro de Rafael.

As duas correntes eram anticlássicas e eram resultado da mesma crise espiritual, mas enquanto uma tendia para a distorção do universo visível, a outra se tornava obscura e misteriosa. O maneirismo caiu mais no gosto da elite intelectual enquanto o barroco seguia como uma forma de expressão mais espiritual, emocional e popular. Por fim este sobressaiu àquele pelo seu caráter espiritual e se tornou símbolo da contra-reforma católica no século XVII.

Já o maneirismo caiu no gosto cortês do século XVI, nas palavras de Hauser “Os pintores palacianos de todos os príncipes connoisseurs dessa época – Cosimo I, de Florença, Francisco I, de Fontainebleu, Felipe II, de Madri, Rodolfo II, de Praga, Alberto V, de Munique – eram maneiristas” (pág. 119).  Os quadros que os príncipes mandavam pintar eram em sua maioria destinado não a exposição ao público, mas para serem admirados de maneira particular ou em pequenos círculos íntimos. O objetivo principal desses quadros era o de dar prazer estético.

Bibliografia:

  1. HOCKE, Gustav R. – Maneirismo: Mundo como Labirinto. São Paulo, Editora Pespectiva, 1974.
  2. ARGAN, GIULIO CARLOClássico anticlássico : O Renascimento de Brunelleschi a Bruegel. São Paulo, Cia das letras, 1999.
  3. HAUSER, Arnold – Maneirismo: A crise da Renascença e o Surgimento da arte moderna. São Paulo Pespectiva,  1976.
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