Importância de Petrarca

Francisco Petrarca é considerado o primeiro humanista. Ele chegou à idéia humanista partindo da análise da “corrupção” e da “impiedade” de seu tempo. Buscava suas causas para tentar remediá-las. Em sua procura, atribuiu como causa a propagação do naturalismo difundido pelo pensamento árabe principalmente através do averroismo, e a mentalidade racionalista. Como antídoto o homem deveria desprezar o conhecimento exterior da natureza e voltar-se a atenção para o homem. O objetivo era conhecer a alma humana. Essa é a essência da maneira de filosofar de Petrarca, conhecer-se a si mesmo e o método para atingir esse conhecimento estava nas artes liberais. Em seu livro “Sobre a própria ignorância e a de muitos outros” Petrarca ataca o naturalismo Averroista “Eu, com efeito, me pergunto para que serve conhecer a natureza das feras, dos pássaros, dos peixes e das serpentes, mas ignorar ou não procurar conhecer a natureza do homem, por que nascemos, de onde viemos, para onde vamos” (citado em História da literatura, pg. 45). Em outro trecho da “Epistola” ele afirma sua predileção pelos ideais filosóficos pagãos “embora há muito tempo já devesse ter aprendido, inclusive com os filósofos pagãos, que nada é digno de admiração além da alma para a qual nada é grande demais” (cit. Idem). Petrarca via as artes liberais como instrumento de formação espiritual.

A literatura que se desenvolveu depois era petrarquista. Seus poemas eram dissecados, estudados e imitados. O amor cortês dos poemas de Petrarca é evoluído até atingir o platonismo. “O poeta apaixonado entra em contato misterioso com o além: existe uma analogia entre o estado poético e o místico” (Mousnier pg. 45). O poeta se considera um mensageiro de Deus na terra. O platonismo difundido se acomoda bem com a sensualidade e não faltam descrições sobre nudez, carícias e prazeres. Essa sensualidade logo passaria as artes visuais durante o Renascimento e atingiria seu máximo no período Maneirista.

 

Bibliografia:

  1. Mousnier RolandOs séculos XVI e XVII: Os progressos da civilização européia. Divisão européia do livro / 1957 – SP
  2. Arnold J. ToynbeeHelenismo: História de uma civilização – Zahar / 1963 / RJ
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