Leilão de aquarela

Aquarela minha sendo leiloada na Over Leilões , até dia 25 de setembro (2014). Faça seu lance! http://www.overleiloes.art.br/peca.asp?ID=412208&ctd=11&tot=16&tipo=|29|


Lauro Monteiro

Vida e obra dedicada à brasilidade

Lauro Monteiro nasceu em Araraquara em 1956. Até os dez anos, morou no centro da cidade, em uma casa próxima ao restaurante dos pais.

            O pai, Laurentino Monteiro, nasceuem Portugal. Veio ao Brasil ainda criança, acompanhado dos avós. Instalaram-se em Araraquara no final da década de20. A mãe, Amélia Kfouri Monteiro, nasceuem Boa Esperança, filha de imigrantes sírios-libaneses, cuja família instalou-se também em Araraquara mais ou menos na mesma época da família do pai.

A família sempre esteve envolvida com o comércio, hotelaria e gastronomia. O restaurante do Monteiro, nos anos 50, ficava bem no centro de Araraquara, em frente à antiga sede social do Clube Araraquarense – hoje, Palecete da Esplanada das Rosas, onde está instalada a Secretaria da Cultura.

Era, na época, um importante “point dos anos dourados”, que reunia intelectuais, admiradores de boa gastronomia e boa música (tinha um piano bar). Ignácio de Loyola Brandão, Zé Celso Martinez Corrêa, Jean Paul Sartre e Simone de Beauvoir foram algumas das grandes personalidades que passaram por lá para tomar um cafezinho, comer um lanche, bater um papo. Ou seja, Lauro Monteiro sempre acompanhou o turbilhão cultural que acontecia em Araraquara até a chegada dos tempos da ditadura militar.

Em meados da década de1960, afamília mudou-se para outro bairro, onde não havia muitas residências. Esta segunda fase da infância do artista foi marcada pelas brincadeiras de rua: empinar pipa, andar de bicicleta, passeio de ônibus elétrico e muito desenho. “Eu desenhava demais. Um dia fiz uma história tipo uma HQ nos muros da minha casa”, afirma Monteiro.

Aos 14 anos, já órfão de pai e mãe, voltou a morar no centro da cidade, sob a tutela de um tio: um grande leitor da literatura portuguesa e brasileira. “As discussões e conversas nos infindáveis almoços de domingo versavam sobre os Luzíadas, Eça de Queiroz, grandes poetas, grandes temas culturais, como o cinema, que, religiosamente, frequentávamos duas vezes por semana”, relembra.

O gosto pelo desenho motivou Lauro Monteiro a participar de vários cursos livres de desenho.

A adolescência foi uma fase mais introspectiva, voltada à pintura e ao desenho, além de idas assíduas ao cinema.   Monteiro cursou a faculdade de engenharia de Araraquara. Paralelamente ao estudo, frequentou o atelier do professor Lafayete Carvalho de Toledo (ex-diretor da Escola de Belas Artes de Araraquara, extinta em 66) e teve a oportunidade de estudar História da Arte, Psicologia da Arte, Pintura e desenho.

”No início dos anos 80 comecei a mostrar meu trabalho em exposições e em outros certames artísticos. Minha primeira exposição foi na Biblioteca P.M. Mario de Andrade”, conta.

Ele participou de um trabalho contemporâneo da XVI Bienal de São Paulo, em1981, núcleo I – Arte Postal (um momento em que a Bienal democratizou a participação de artista do mundo todo, sob a curadoria de Walter Zanini). Logo em seguida, começou a dar aulas de desenho no SENAC Araraquara, e trabalhou na área de criação têxtil na fábrica da Lupo, primeiramente como assistente do Estilista Chefe. Posteriormente, assumiu a chefia do setor até 1993. “Esse trabalho na Lupo me deu possibilidades de viajar por toda a Europa e aos EUA, na pesquisa de mercado têxtil. Incluía-se nestas viagens visitas aos principais museus europeus e americanos” explica.

 

 

Na década de 80, o trabalho do artista estava diretamente ligado à arte contemporânea, com o Grupo dos 11, formado por artistas, jornalistas, atores, músicos, professores da Faculdade de Ciências e Letras da Unesp, em prol de um movimento pró-política-culturalem Araraquara. Monteirotambém foi diretor de teatro até 1996, coordenando o premiado grupo JATUBÁ, com peças voltadas para adultos, com obras de Nelson Rodrigues e clássicos teatrais.

Até 2000, Lauro esteve envolvido em inúmeros eventos culturais em prol da democratização da cultura e dos espaços culturais. Na década de 90, foi presidente da Associação de Produtores e  Artistas Unidos de Araraquara (APAU de ARARA, cuja ação política mudou a vida cultural de Araraquara). Também abriu seu próprio estúdio, o Varanda.

Em 2001, assumiu a Secretaria de Cultura, que se instalou nesse mesmo ano, fruto de uma conquista da classe artística de Araraquara. Em 2006, Lauro foi realizar um grande e antigo sonho: transferiu seu ateliê para Paraty (RJ).

Mulheres e afrobrasilidade 

As formas femininas sempre influenciaram Monteiro para um traço preciso e impecável. O fato de ter desenhado desde a infância e depois se especializado no desenho de moda, o levou a transferir esse conhecimento para gestos e linhas que propiciassem a ideia de força, de atitude, de aconchego. “A figura da mãe ou da mãe terra, provedora de tudo, é a representação que, pra mim, é muito intensa”, destaca.

 Temperando o Brasil

Para desenvolver a coleção Temperos do Brasil, o artista pesquisou primeiramente receitas de família, e depoisa literatura específica.

Neste universo, encontrou uma série de textos, que foram traduzidos em formas, expressões do cotidiano e cores.

“A cozinha brasileira e, sobretudo a culinária da Bahia – um dos meus focos – uma das mais conhecidas e típicas, são praticamente compostas por pratos de origem africana, diferenciados pelo tempero mais forte à base de azeite de dendê, leite de côco, gengibre e pimenta de várias qualidades”, relata.

Há ainda temperos, comidas utilizadas nas oferendas – as comidas de santo – que são feitas nos terreiros de candomblé para serem oferecidas aos Orixás; outras recheadas de afrodisíacos, seja nas cores, seja nos fortes sabores.

“As formas que me fazem criar, além da figura feminina, em suas linhas arredondadas, são as formas dos peixes, frutos do mar, as frutas e flores brasileiras”, explica Monteiro.

Quitanda Brasil

Legumes, folhas, sementes, frutas e especiarias, baseados nas cores fortes e brilhos do Brasil, dão o tom das obras. Todas essas características estão aplicadas nas telas do artista, cujo grande diferencial é uma forte tendência voltada ao design de interiores.

Para ele, suas obras são permeadas pela paixão de tudo que é brasileiro, como cultura popular, culinária, folclore, literatura, música, dança e ecologia. “Esses são os temas que estudo constantemente para desenvolver o meu trabalho”, diz.

 

Mata Atlântica

A mudança para Paraty não poderia resultar em outro trabalho. Ao morar no Parque Nacional da Serra Bocaina, onde a mata atlântica completamente preservada se encontra com a cultura, Monteiro criou o cenário inspirado para a criação da coleção Mata Atlântica, com pinturas em tela, papel e cerâmica.

“É uma visão ligeira e contemplativa da mata atlântica ao meu redor”, afirma o artista.

Na técnica de pintura em papel, as novas obras exploram temas da fauna e flora, com pinceladas e traços rápidos, sem preocupação formal e realista. Já nas peças de cerâmica, o artista desenvolve uma técnica particular na decoração da cerâmica utilitária usada em áreas externas, como vasos cachepôs para jardim vertical, entre outras.

As telas em acrílico dão a impressão de aquarela, característica marcante de Monteiro ao longo dos 40 anos de estudos e pesquisas nas artes plásticas.

 


Desenho satírico

A distorção das formas com a intenção provocar humor existe desde a idade antiga. O desenho considerado a origem do cartoon é egípcio. Nele, um leão é representado jogando Xadrez com uma gazela.
Durante a idade média o grotesco também teve seu espaço. Alguns artistas estudavam caricaturas ou simplesmente exploravam as possibilidades do absurdo. Nos séculos XVIII e XIX o desenho satírico se firmou como forma de crítica social e política.
Esse tipo de desenho não precisa refletir a natureza, ele busca representar uma idéia.


Pino, o artista do mediterrâneo

Pino foi um pintor italiano falecido em 2010 aos 71 anos. Sua pintura realista é vibrante e com frequência é ambientada nas praias do mediterrâneo, onde ele foi criado. Ele tinha uma habilidade excepcional para captar o movimento das imagens.

Seus personagens em maioria são mulheres geralmente retratadas com vestidos esvoaçantes ou andando na praia com crianças. Ele também foi ilustrador e publicou diversos livros com sua obra.

 

Veja mais pinturas no site oficial do pintor.

 


Race Against Time

A Tate Modern de Londres anunciou hoje o lançamento de um aplicativo para Iphone que mistura jogo com história da arte. O game chama-se Race Against Time. Nele você é um divertido camaleão cujo o objetivo é deter o inimigo Dr. Grayscale que quer tirar a cor do mundo.
O jogo passa por 121 anos de história da arte moderna. Os inimigos mudam, assim como a trilha sonora e a ambientação dependendo de cada período histórico onde o jogo se passa. Os ambientes são baseados nos movimentos da arte como o impressionismo, o muralismo mexicano, pop art e outros.

 

 


Sumiê

 

Sumiê é uma técnica de pintura japonesa também conhecida como suiboku-ga. Geralmente é feita com nankin e um pincel em forma de gota, o washi. A pintura é feita lentamente com o pincel posicionado 90º sobre papel de arroz de tamanho variável.

Essa maneira de pintar foi desenvolvida na China por volta do século XI e foi introduzida no Japão no século XIV por monges budistas. Nessa época a pintura sumiê tinha essencialmente temática religiosa, mas a partir do século XV ela também passou a representar a natureza como pássaros, flores e paisagens.

Para quem quiser experimentar na prática esse tipo de pintura, a Universidade de Guarulhos (UNG) dará um curso de sumiê nos dias 26 e 27 de janeiro. O curso é livre e a taxa do curso é de 20,00. Quem ministrará o curso é a arte-educadora Katia Suzue Melo.

Dados:

Curso Sumiê

dias: 26 e 27 de Janeiro.

Horário: das 13h às 17h

Local: Campus da UNG – Guarulhos

Vagas limitadas.

Para ver os outros cursos de férias na UNG clique aqui.

 


Vídeo sobre o Renascimento

Interessante vídeo sobre os 3 principais artistas do Renascimento. Esse vídeo mostra uma breve biografia de Michelangelo, Rafael e Leonardo da Vinci. Ricamente ilustrado com as obras de arte desses mestres. Aproveitem também para praticar o inglês.

 

The Big Three of the Italian High Renaissance


Ilustração Digital

Achei esse vídeo por acaso na internet e achei melhor compartilhar aqui. Nele é mostrado o processo de criação de uma ilustração digital para a capa de uma revista em quadrinhos em timelapse.

O interessante é que o vídeo vai desde o esboço até a pintura final.

 


Modernismo e identidade Nacional

“O Modernismo manteve-se cúmplice de um projeto de constituição de uma arte brasileira típica”

Tadeu Chiarelli

O vendedor de frutas, Tarsila do Amaral, 1925.

A busca por uma identidade Nacional em artes plásticas era uma preocupação constante dos primeiros modernistas. Não queriam simplesmente imitar os estilos europeus. Queriam se apropriar e transformar essas tendências em algo novo e com a “cara” do Brasil. Um exemplo dessa busca é o quadro “Vendedor de frutas” de Tarsila do Amaral, pintado em 1925. Nesse quadro é representado um mulato de olhos azuis carregando um enorme cesto de frutas acompanhado por um pássaro tropical. As cores são chapadas e as formas muito estilizadas e a falta de profundidade dá uma impressão primitivista. O vendedor de frutas é uma alegoria do Brasil e do povo brasileiro, pois remete a uma ideia de paraíso tropical onde os frutos brotam, cabendo ao povo simples o trabalho apenas de colhê-los.

Essa questão do tema brasileiro é algo que vem desde os acadêmicos do século XIX. Pedro Américo pintou um quadro em 1882 intitulado “A carioca”. Comparando fica obvio as diferenças formais entre os acadêmicos e modernos, mas a questão de buscar um tema nacional permanece o mesmo. Em Pedro Américo a carioca é representada por uma ninfa, imagem idealizada de mulher bonita e jovem, que é branca. A figura se banha em um rio e ao lado pode-se ver uma fonte de água, símbolo da vida. O título da obra parece estar completamente desconexo com o que representa.

A Carioca, Pedro Américo, 1882.

A Carioca, Pedro Américo, 1882.

 

Outro tema brasileiro na pintura acadêmica pode ser representado pelo  quadro “o derrubador” de Almeida Jr. de 1871. O quadro representa um trabalhador braçal em um momento de descanso. Ele senta para fumar com seu machado e ao fundo pode-se ver parte da mata virgem. Ao lado da figura novamente o símbolo da fonte. Anos depois Portinari representaria outro trabalhador brasileiro em seu momento de descanso. Em “o lavrador” ele coloca um negro se apoiando em uma enxada. Ao fundo pode se ver a terra lavrada. No lugar da fonte, um trem como símbolo do progresso. Essa representação é peculiar à Portinari, ao invés de representar o Brasil como um paraíso idealizado, ele mostra um espaço que pode ser transformado pelo trabalho e pelo trabalhador.

“O derrubador” de Almeida Jr. e “O lavrador” de Candido Portinari.

 


Definições sobre a obra de arte

“A finalidade da arte é o deleite”

Poussin

Saleiro de Cellini

Saleiro de Benvenuto Cellini. A obra é datada do final do século XVI. O saleiro foi feito para o rei Francisco I da França. A obra é composta por duas figuras, Ceres e Netuno, que representam a água e a terra.

Definir exatamente o que é uma obra de arte não é tarefa fácil. Não existe um conceito unificado, ou esse conceito varia de acordo com o período histórico. A explicação de que a obra de arte é uma experiência estética parece simplista demais. Todo objeto, feito ou não pelo homem, pode ser experimentado esteticamente. Pode-se apreciar a beleza natural de uma paisagem sem essa ter sido alterada pelo homem e nem por isso, essa paisagem é uma obra de arte. A obra de arte necessariamente é produzida pelo ser humano, então vamos excluir as belezas naturais, mas isso na quer dizer que elas não podem ser apreciadas.

Os objetos feitos pelo homem, que não exigem uma experimentação estética, são chamados de “práticos”. Segundo Guinsburg, os objetos práticos por sua vez, podem ser subdivididos em dois grupos: Os veículos de Comunicação e os aparelhos (ferramentas).  Os veículos de comunicação tem a intenção de transmitir um conceito, os aparelhos e ferramentas tem a intenção de preencher uma função. A obra de arte também podem estar dentro dessas duas categorias. Um poema ou uma pintura histórica podem possuir intenção de transmitir um conceito, portanto é um veículo de comunicação. O Panteão e o saleiro de Benvenuto Cellini são em certo sentido, aparelhos. O túmulo de Lorenzo de Medice, esculpido por Michelangelo, são em certo sentido, ambas as coisas.

Mas chamar essas construções e objetos de meros “veículos de comunicação ou “aparelhos”  não transmitem suas reais importâncias. Isso porque nesses objetos existe uma atenção exagerada na “forma”. O foco de interesse então, daquele que a produz, não está concentrada unicamente em sua função, mas está equilibrada junto com um interesse na forma.

No entanto, o elemento “forma” se encontra em todos os objetos sem exceção e não é possível determinar em que medida esse elemento forma é a que recebe uma ênfase maior.  Portanto não se pode definir em que momento o objeto passa a ser obra de arte. Assim, a esfera em que o campo dos objetos práticos termina e o da arte começa depende das intenções de seus criadores. Quanto mais o objeto é projetado com ênfase na idéia e na forma, mais ele revelará o que é chamado de “conteúdo”.

Para Peirce, conteúdo é aquilo que a obra denuncia, mas não ostenta. É a atitude básica de uma nação, período histórico, classe social, crenças religiosas e pensamentos filosóficos, condensado de forma inconsciente em uma obra. Esses conceitos podem emergir, principalmente, quando o elemento “forma” e “idéia” é voluntariamente enfatizada ou suprimido.

Referências:

Panofsky, Erwin. SIGNIFICADOS NAS ARTES VISUAIS. Ed. Perspectiva.


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